Num voo BH-São Paulo, peguei a revista de bordo, mas não li – como habitualmente faço. Preferi meu livro, que desejo que chegue logo ao fim porque a minha fila está extensa. No entanto, tive a curiosidade de dar uma olhadela para saber se punha na bolsa ou deixava por ali mesmo.
Na revista, um perfil da Palmirinha Onofre. Sempre que a vejo, me lembro um pouco da vovó. Elas tem estilos muito diferentes (Celinha foi criada numa família mais sofisticada, por assim dizer), embora prezem a mesma essência: com simplicidade na cozinha se faz poesia e afeto.
Vejo minha geração querendo ser Jamie Oliver ou Nigella – eu adoro os dois e queria ter um tiquinho do talento de ambos – enquanto a Palmirinha, a Ofélia, a Vovó não quiseram nada além de se deliciar com a família reunida na mesa, de olhos fechados com êxtase imensurável a cada garfada.
Podia ser uma farofinha de ovos, um franguinho suadinho, um pudinzinho (vovó dizia tudo no diminutivo e eu me pego fazendo o mesmo vira e mexe). Existe uma assinatura que, mesmo fazendo tudo como elas ensinaram, não é a mesma coisa.
E me pergunto: qual será minha assinatura?
